...::: TESTEMUNHOS

 

- Cura de Dengue Hemorrágica

"Eu cheguei da Escola com as crianças, e, dentro do carro, percebi que um mosquito me picou, numa quarta-feira. Mas só vim começar a sentir os efeitos de doença, na segunda-feira. Acordei bem, pela manhã, com minha movimentação normal, levei as crianças para a escola, e, quando cheguei de volta, comecei a fazer as tarefas normais, e comecei a sentir meu corpo doer, meus olhos; parecia que os olhos queriam sair, fiquei tonta; e fui a um posto de Saúde. Lá, o médico não queria deixar que eu fosse para casa; mas fui para a casa de uma cunhada minha, onde senti febre muito alta, trinta e nove graus, e muita náusea; até a água me dava náusea; depois, fui para casa, e, ao tentar me alimentar, não consegui; meu corpo estava ficando fraco e fui para a cama, e tive muita febre; passei a tomar remédio para febre, e meu cunhado me levou para o hospital da Base Aérea, onde meu esposo é militar; quando lá cheguei, me atenderam, e pensaram que era uma virose. Eu disse aos médicos que fora picada por um mosquito, e achava que poderia ser dengue; mas o pessoal do hospital entendia que era uma virose.
Meu esposo estava viajando, em missão, pela Base; meu cunhado ligou para ele, dizendo que eu não estava bem; eu estava em casa, liberada pelo médico. Então, passei a noite em casa, mas muito mal, vomitando e com uma febre muito alta. Pela madrugada, meu esposo, Daniel, ligou para casa e meu cunhado lhe disse que eu não estava bem. E meu esposo mandou que me levasse para o hospital. (Até aqui, palavras de Valéria – Em seguida, palavra do seu esposo, Carlos Daniel Bezerra da Silva).
“Na segunda feira, à noite, foi o último contato feito com minha família, quando fui informado que Valéria estava passando mal. Às 04 horas da manhã, da terça-feira, ao ligar para casa, me informaram que não havia melhora no quadro de saúde dela. Naquele momento, pedi que a levassem ao hospital, para saber o que estava ocorrendo; desloquei-me de onde estava para casa, onde soube que ela já se encontrava outra vez no hospital; Lá, chegando , às 09 horas da manhã , da terça-feira, pude constatar que o quadro era muito difícil; ela queixava-se de forte dor de cabeça, náuseas, dores no corpo; mesmo , com todos esses sintomas, o médico de plantão recusava-se a diagnosticar, ou fazer os exames para atestar que seria Dengue.
Durante todo o dia, naquela unidade de emergência, onde ela se encontrava, só tomava soro, acompanhado de um anestésico, para aliviar as dores; pelas sete horas da noite, o médico de plantão procurou dar alta à minha esposa, dizendo que o quadro melhoraria após 24 horas; mas, naquele mesmo instante, uma médica que assumia o plantão, creio que enviada por Deus, questionou com aquele médico o fato de liberar a paciente naquele quadro, chegando a impor a autoridade de nova plantonista; então, ela assumiu o plantão e determinou que minha esposa fosse encaminhada para a internação.
Lá, o quadro se mantinha sem melhora. Na quarta-feira, pela manhã, foi feito primeiro exame, coleta de sangue, quando se constatou que as plaquetas de Valéria se encontravam em 20.000 unidades, levando a equipe médica a suspeitar de um quadro de Dengue Hemorrágica; mas formou-se uma junta médica para acompanhar a evolução da doença. Na noite da quarta-feira, após muita hidratação e medicação, foi feita a segunda coleta de sangue, e observou-se que as plaquetas tinham baixado para 17.000.
Na quinta-feira, pela manhã, foi feita a terceira coleta de sangue, e constatado que as plaquetas tinham caído para 13.000, quando a junta médica me chamou e disse que o quadro era muito crítico, e já estavam providenciando uma vaga para ela na UTI, no Hospital de Guarnição de Natal (do Exército); naquele instante, o presidente da Junta, um cardiologista, orientou para que se observasse se havia algum sangramento em minha esposa; na madrugada da sexta-feira, pude observar sangramento em sua boca e informei ao médico de plantão. Ele me orientou que aguardasse para ver se o sangramento evoluiria. Pelas cinco horas da manhã, na sexta-feira, acionei o médico de plantão, para que observasse que havia sangramento mais forte nos lábios e nas gengivas; daí, em diante, foi procedida a remoção dela para a UTI do Exército, numa ambulância especial, meio-desacordada e sedada e com poucos reflexos; lá, na UTI, antes de interná-la, segurei na sua mão e lhe falei: Não temas, porque o Senhor que te trouxe aqui, te levará de volta. E cantei este hino com ela: “Se Cristo comigo vai, eu irei; e não temerei, com gozo irei; comigo vai...”. Pelas dez horas da manhã, na sexta-feira, ela deu entrada na UTI, e tive que sair do ambiente. Mas pude observar a correria dos médicos, de onde me encontrava. Eles me disseram que poderia voltar lá, na visita da tarde; à tarde, voltei lá, e encontrei minha esposa totalmente sedada e monitorada por aparelhos; e observei que os médicos olhavam para ela e se comunicavam entre eles com sinais de que o quadro não estava bom.
Retornei no dia seguinte, no sábado, pela manhã, e observei que não havia melhora. Ela já respirava com máscara de oxigênio; o médico orientou que não demorasse na visita; e notei sinais de sangramento na boca e no seu nariz; naquele instante, todos os familiares, pais e irmãos, ali chegavam para visitá-la; o quadro se manteve até à terça-feira, às dezesseis horas. Na quarta-feira, na visita da manhã, observei que o sangramento aumentava, e ela tinha grande dificuldade para respirar, e não se alimentava; ela estava sedada eu peguei em sua mão, quando ela abriu os olhos, e muito debilitada, me disse: “Não vou conseguir....”; naquele instante, fechei os olhos, olhei para o teto daquela UTI, e falei intimamente com o Senhor, pedindo-lhe uma palavra para minha esposa; então, apertei sua mão mais fortemente, e ela voltou a abrir os olhos e eu lhe disse: - Você já conseguiu; naquele instante, lembrei para ela a passagem, em que o salmista Davi, no salmo 23, versículo 4, diz: “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam”. Ela balançou a cabeça, concordando, e voltou a fechar os olhos.
Em todos aqueles dias, aquele foi o momento mais difícil para mim. Eu havia retornado do hemocentro, de manhã, onde estava acompanhando alguns irmãos da igreja, que foram doar sangue para Valéria. E pude presenciar a mobilização de toda a igreja, não só em Parnamirim, mas em todo o Rio Grande do Norte, para praticar esse gesto de amor, voluntárias para doar sangue. Retornei para casa; chovia muito, em Natal; o rádio anunciava para que as pessoas ficassem em casa, por causa do temporal; e, ao sair do hospital, disse para Valéria que só retornaria no dia seguinte; naquele mesmo dia, fui à casa do irmão Simeão para deixá-lo; lá, chegando, informei o quadro de minha esposa à irmã Maria, e ela me disse que estava orando, e que Deus tinha um propósito em tudo o que estava acontecendo; e me convidou para irmos à casa de uma irmã, por nome Olga, para fazermos uma oração pela minha esposa.
Em lá, chegando, a irmã Olga falou-nos que estava desejando ir ao Hospital, pois Deus tinha algo para fazer lá. Diante das chuvas, resolvemos ir de transporte coletivo. Chegando àquele hospital, a irmã Olga foi a primeira a entrar na UTI, chegando ao leito onde minha esposa estava, e orou, falando em mistérios, e saiu regozijada, dizendo que Deus já estava fazendo a obra. Depois, entrou a irmã Maria e, por último, eu entrei, causando surpresa a Valéria, pois pensava que não voltaria lá, no mesmo dia; após a visita, retornamos para casa, e a irmã Olga me dizia que a obra não estava terminada; que deveríamos ir todos à minha casa, para orarmos pelos familiares de minha esposa.
Em minha casa, irmã Olga falou de Deus para a minha sogra, dizendo que Deus a amava muito e estava cuidando de minha esposa, e indagou se minha sogra amava sua filha, minha esposa. Ao que ela respondeu que seria capaz de dar a vida por ela. Naquele instante, a irmã Olga disse-lhe: - “Não dê a vida pela sua filha. Dê sua vida a Jesus. Ao que ela disse: - “Eu dou minha vida a Jesus agora”. E aceitou a Jesus, aceitando-o como Salvador. Oramos por sua decisão e, ao sair, irmã Olga dizia que o Senhor tinha completado a obra.
Na quinta-feira, a situação de Valéria começou a mudar. Pela manhã, a minha esposa pôde se alimentar; deixou de tomar as plaquetas; no primeiro exame de sangue, daquele dia, as plaquetas tinham subido para 15.000. Na sexta-feira, alcançaram 33.000; na parte da noite, chegaram a 66.000. No sábado, o chefe da UTI perguntou quem eram os parentes da paciente Valéria Cristina; eu me apresentei, juntamente com minha sogra e alguns irmãos que nos acompanhavam, como Ivan e Toninho, que presenciaram aquele diálogo. O médico informou que, nas primeiras 48 horas da paciente, eles não puderam fazer nada; só aguardar. Ele deu um tempo, apontou para o céu, e disse: “Foi Ele...!” (Deus); naquele momento, nós glorificamos ao Senhor, chorando e regozijando-nos na presença do Senhor, diante das palavras do médico. O médico, em seguida, disse que se o quadro permanecesse assim , daria alta a Valéria na segunda-feira. E nós lhe dissemos: Foi o Senhor nosso Deus que fez esse milagre. Ele é Deus dos impossíveis; é Deus de maravilhas. E o médico pôde presenciar um milagre de Deus e a nossa alegria”. (A seguir, palavras de Valéria).
“ Na segunda-feira, à tarde, saí da UTI, e fui para o hospital de Base, onde continuei sendo assistida, com hidratação e vitaminas. Ali, tinha ainda uma dor de cabeça muito forte, tomando fortes medicamentos. Após uns cinco ou seis dias, a dor de cabeça foi diminuindo e, no dia 03 de maio de 2008, me mandaram para casa. No dia 07, voltei para o hospital, com cansaço muito forte e fiz vários exames, em que diagnosticaram um coágulo, mas não o encontraram no meu corpo, após vários exames. Me deram uma medicação, e os exames constataram que o coágulo houvera desaparecido. Então, após uma semana, me deram alta. Fui para casa, e fui melhorando a cada dia. E hoje, estou aqui, contando a vitória para a glória de Deus. "

Valéria Cristina Ferreira da Silva Bezerra, é membro da Assembléia de Deus em Parnamirim-RN - Templo Sede.