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Régia
Maria Carvalho Peixoto
Relata
a Sra. Teresa que no seu primeiro dia de aula parou em frente
aos seus alunos da quinta série e lhes disse que gostava
de todos por igual. No entanto, ela sabia que isto era quase
impossível, já que na primeira fila estava sentado
um pequeno garoto chamado Ricardo. A professora havia observado
que ele não se dava bem com os colegas de classe e muitas
vezes suas roupas estavam sujas e cheiravam mal.
Ao iniciar o ano letivo, cada professor deveria ler com atenção
a ficha escolar dos alunos, para tomar conhecimento das anotações
feitas ano a ano.
A Sra. Teresa deixou a ficha de Ricardo por último. Quando
leu-a, encontrou o seguinte:
A professora do primeiro ano escolar havia anotado:
Ricardo é um menino brilhante e simpático. Seus
trabalhos sempre estão em ordem e muito nítidos.
Tem bons modos e é muito agradável estar perto
dele.
A professora do segundo ano escreveu:
Ricardo é um aluno excelente e muito querido por seus
colegas, mas tem estado preocupado com sua mãe que está
com uma doença grave e desenganada pelos médicos.
A vida em seu lar deve estar sendo difícil.
Da professora do terceiro ano constava a seguinte anotação:
A morte da mãe de Ricardo foi um golpe muito duro. Ele
procura fazer o melhor, mas seu pai não tem nenhum interesse
e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar
providências para ajudá-lo.
A professora do quarto ano escreveu:
Ricardo anda muito distraído e não mostra interesse
algum pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme
na sala de aula.
A Sra. Teresa se deu conta do problema e ficou terrivelmente
envergonhada. Sentiu-se ainda pior quando lembrou dos presentes
de Natal que os alunos haviam dado, envoltos em papel colorido,
exceto o de Ricardo, enrolado num papel marrom de supermercado.
Lembrou-se de que abriu o pacote com tristeza, enquanto os outros
garotos riam ao ver uma pulseira faltando algumas pedras e um
vidro de perfume pela metade.
Apesar das piadas ela disse que o presente era precioso e pôs
a pulseira no braço e um pouco de perfume sobre a mão.
Naquela ocasião Ricardo ficou um pouco mais de tempo
na escola do que o de costume. Lembrou-se ainda que Ricardo
lhe disse que ela estava cheirosa como sua mãe.
Naquele dia, depois que todos se foram, a professora chorou
por longo tempo...
Em seguida, decidiu-se a mudar sua maneira de ensinar e passou
a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente
a Ricardo.
Com o passar do tempo ela notou que o garoto só melhorava.
E quanto mais ela lhe dava carinho e atenção,
mais ele se animava.
Ao finalizar o ano letivo,Ricardo saiu como o melhor da classe.
Um ano mais tarde a Sra. Tereza recebeu uma notícia em
que Ricardo lhe dizia ela era a melhor professora que teve na
vida.
Seis anos depois, recebeu outra carta de Ricardo contando que
havia concluído o segundo grau e que ela continuava sendo
a melhor professora que tivera. As notícias se repetiram
até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo Dr.
Ricardo Stoddard, seu antigo aluno, mais conhecido como Ricardo.
Mas a história não terminou aqui. A Sra. Tereza
recebeu outra carta , em que Ricardo a convidava para seu casamento
e noticiava a morte de seu pai.
Ela aceitou o convite e no dia do casamento estava usando a
pulseira e o perfume que recebeu de Ricardo. Quando os dois
se encontraram, abraçaram-se por longo tempo e Ricardo
lhe disse ao ouvido:
_ Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante,
demonstrando-me que posso fazer a diferença.
Mas ela, com os olhos banhados de lágrimas sussurrou
baixinho:
_ Você está enganado. Foi você quem me ensinou
que eu podia fazer a diferença. Afinal, eu não
sabia ensinar até que o conheci. Mais do que ensinar
a ler e a escrever, explicar matemática e outras matérias,
é preciso ouvir os apelos silenciosos que ecoam na alma
do educando. Mas do que avaliar provas e dar notas, é
importante ensinar com amor mostrando que sempre é possível
fazer a diferença.
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